Now Playing Tracks

Era de noite, e eu viciada em jogos, saí do computador um pouco depois das três da manhã. Meu cobertor estava preso em baixo do pé da cama, só podia ser isso. Odeio quando isso acontece. É tão, idiota. Sabe… Quando você está morrendo de sono e se joga na cama, e quando percebe… Tem que levantar para soltar o cobertor. Fora o que fiz. Ao por meus pés descalços no chão frio, senti uma onda de vibração pulsar em todo o meu corpo. Meu coração acelerou. A luz apagada formara uma escuridão intensa em meu quarto, tremi. Tateei o colchão até encontrar seu fim. Desci minha mão sentindo ainda a vibração. Fiquei com medo e meus pêlos eriçaram. Alisei minha mão por todo o pé da cama, mas nada, não havia nada preso. Toquei o cobertor seguindo seu final, novamente, para ver até onde daria. E era naquela direção. Ajoelhei-me frente à cama mesmo não enxergando nada, estiquei minha mão por de baixo da mesma. Alguma coisa  a segurou. Uma coisa muito fria, fria demais para ser um simples rato, e forte demais para ser algum espírito. A vibração aumentou dentro de mim, eu estava paralisada, tudo em mim adormecera e eu perdera o controle, não era mais eu quem comandava. Minhas cordas vocais enrijeceram causando uma dor enorme por todo o meu pescoço, e o grito que eu queria soltar não saia. Fitei a escuridão sob a cama e duas luzes amarelas apareceram, elas me cegaram por um instante, olhos, não luzes, eram olhos. Apaguei.

Acordei tempos depois em algum tipo de nave. Eram apenas ferros e mais ferros. Eu estava presa, amordaçada. Meus braços doíam com a pressão daquelas… Algemas? Não, era alguma coisa diferente, parecida, mas diferente. Engoli em seco quando ouvi o barulho de… Furadeira. Olhei de canto de olho, já que minha cabeça, colada estava a mesa. E aquele barulho que vinha da broca brilhante, seguia o pior percurso, o até minha cabeça. Fechei meus olhos o mais forte que pude e silenciei-me. Calei-me. Não havia nada o que fazer. Morrer com dignidade ao menos. Apaguei;

Sabe quando dizem que as três da manhã é a hora em que os monstros saem? Acredite. Acredite firmemente nisso. Eu sei disso, eu já experimentei. Creia. Eu já fui arredada, já fui abduzida. Não queira ser. Ainda vejo as marcas daquele dia. Do dia de glória alienígena. Se é que posso chamar meus amigos assim. Ah, eles me visitam constantemente. Rotineiramente. Praxemente. Cuidado. Eu não sou a única.

Continuação de um post antigo.

Notes

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